Pedagogia

Ser pedagogo é estar num constante e eterno aprender.

4 de nov de 2011

Educação


Durante o curso de Pedagogia entende-se que a Educação é um processo que visa à formação humana, ou seja, o objetivo da educação é “formar o homem”. (FÁVERO,1983).
O homem é criador e transformador do seu meio, este transforma a natureza ao seu redor, porém no momento em que ele se vê sem outras formas de criação que o sustente, acaba precisando comunicar-se para que através de uma integração possam surgir novas possibilidades de vida. (FREIRE, 1967)
Neste momento a educação entra como fonte de implantação de sujeitos críticos com desejos próprios, buscando novas expectativas de vida. E através do diálogo surgem novos conhecimentos que relatam experiências de vida que geram um novo processo de ensino-aprendizagem. “Quando um enunciador comunica alguma coisa, tem em vista agir no mundo. Ao exercer seu fazer informativo, produz um sentido com a finalidade de influir sobre os outros”, visando que os sujeitos mudem seu comportamento ou até mesmo de opinião, tornando os sujeitos detentores de um saber a mais. (FIORIN, 2007:74)
Onde o homem torna-se mais reflexivo e responsável, sendo que as experiências enriquecem o ser humano e ajudam os sujeitos a acelerarem o seu amadurecimento, e tornar-se, portanto consciente de suas responsabilidades, desta forma, a Educação e a Conscientização andam juntas neste processo. Sendo que: “A conscientização só é válida se atende às exigências da própria pessoa, isto é, se, no processo de se conscientizar, o valor do homem, o significado da comunicação e o sentido do mundo se adéquam às exigências de humanização”. (FÁVERO, 1983:180)
                E nesta junção de educação básica e conscientização encontramos a educação de base que visa à exigência do ser humano em humanizar-se para que o mundo se torne mais humano e menos individualizado. Assim, “a educação é o processo pelo qual a sociedade forma seus membros à sua imagem e em função de seus interesses”. (PINTO, 2007:29)
            A educação destinada a formar pessoas cidadãs esta ligada a interações e partilhas da construção de vida entre a pessoa que ensina e a que aprende, sendo que “somos o saber que criamos e somos a experiência de partilharmos o saber a cada momento de nossas vidas”. Estes são saberes inacabados, frágeis e crescentes, com isto, compartilhar os saberes e aprender, a saber, nos torna seres humanos. (BRANDÃO, 2002:73)
            Somos seres que aprendem com outras pessoas, e estas possuem círculos de vida diferente dos nossos, sendo que através do diálogo e da interação possamos nos apropriar de novos saberes nos levando a melhorar como seres humanos, nos tornando mais eficiente e racional, para que possamos agir de forma mais produtiva e reflexiva sem destruir o meio onde vivemos. “A educação não é um meio. Ela é um fim cuja finalidade somos nós mesmos”. (BRANDÃO, 2002:78)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FÁVERO, Osmar. Educação Popular Memória dos anos 60. 2° ed. Rio de Janeiro: Grall, 1983

 FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. 8 ed, São Paulo:  Ática. 2003
 
 FREIRE, Ana Maria Araújo. Conscientização: Teoria e Prática da Libertação- São Paulo: Cortez & Moraes. 1979
 
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A educação Popular na Escola Cidadã. Petrópolis. ed.Vozes, 2002

PINTO, Alvaro Vieira. Sete Lições sobre Educação de Adultos. 15°ed. São Paulo: Cortez, 2007.

29 de out de 2011

Diversidade e Inclusão

Diversidade e Inclusão
Quando assumimos uma sala de aula, não percebemos os alunos em sua individualidade e sim enquanto um grande grupo e tornamos este grupo em uma única unidade, e na verdade este grupo é constituído de singularidades cada um tem vivências e realidades de vida diferentes, algo que exige do professor um olhar observador para que este possa adequar as suas aulas a todas as realidades.
(...) ignorar a individualidade e argumentar que o grande número de alunos em cada sala de aula não permite a atenção individualizada a cada aluno, tem sido uma das principais causas do fracasso escolar, quando olhado do lado da ação do professor. 
(BRASIL ,2003:18)

Em nosso cotidiano, nos deparamos com crianças que sofrem maus tratos dentro da própria família, vivem em condições de miséria, cheiram cola, outros crescem brincando no computador e sendo assim cada um tem uma realidade que diferencia o processo de aprendizagem. E considerando estas diversidades, não é permitido esquecer-se dos alunos que apresentam deficiência física, mental e outras, e cabe a escola promover uma aprendizagem significativa para seus alunos.
Quando se fala em necessidades especiais, estamos nos remetendo a um currículo que seja flexível e adaptável, pois este deve estar ao alcance do aluno, para que este não seja apenas um vulto perdido na sala ou somente uma vaga preenchida. Contudo,
(...) o que se almeja é a busca de soluções para as necessidades específicas do aluno e, não, ao fracasso na viabilização do processo de ensino aprendizagem. As demanda escolares precisam ser ajustadas, para favorecer a inclusão do aluno.  (BRASIL, 2003:38)

                Adequar o currículo de forma que o aluno que apresenta necessidades especiais possa sentir-se ativo em sala de aula, é a única forma de evitar a exclusão. Embora ainda seja compreensível a falta de experiência por parte dos docentes, pois estes encaram uma nova situação, e cada nova situação é um novo desafio a ser vencido e ainda contam com salas cheias e poucos recursos para não dizer praticamente nada de recursos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL, Seesp/Mec. Ensinando a diversidade: reconhecendo e respondendo as necessidades Especiais. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2003. (Série: Saberes e Práticas da Inclusão)

_________________. Estratégias para a Educação de Alunos com necessidades Educacionais Especiais. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2003. (Série: Saberes e Práticas da Inclusão)

27 de out de 2011

INFÂNCIA


A palavra infantil nem sempre existiu, tratando-se de um novo campo de pesquisa que a partir do século XVIII começou a ser explorado através da observação do ser infantil, tanto que hoje se observa várias formas de investimento a cerca do infantil, sendo necessário conhecê-lo para que se possa agir sobre ele ou até mesmo controlá-lo.
Pode-se dizer que a colocação da infância em discurso sofreu um processo de incitação a partir do século XVI. Movimentadas pela vontade de saber e por mecanismos de uma sociedade disciplinar, múltiplas formas de poder-saber foram desenvolvidas pela civilização ocidental ao longo dos séculos para dizer a verdade infantil. Tornamos a infância uma matéria de grande importância, especialmente a partir do século XVIII. Foi a partir de então que a disseminação de práticas de investimento na vida infantil constituiu toda uma gama de saberes e poderes cada vez mais específicos. (UBERTI, 2006:3)

            Os escritores medievais não faziam a percepção da faze transitória entre infância e idade adulta, pois a criança era vista como adulto imperfeito e por sua vez a infância era tratada de forma imprecisa e desdenhada.
No aspecto negativo, os autores medievais, quase que invariavelmente, preferiam escrever sobre a idade adulta, especialmente a dos homens, ao invés de se dedicar à infância e a adolescência (por razões óbvias, é impossível determinar se a cultura oral das massas seguia as mesmas linhas). (HEYWOOD, 2004:28)

                Mas a partir do século XVII, houve amplas mudanças em relação ao tratamento do ser infante, pois as mães e as amas de leite lançaram a nova forma de tratar as crianças ao senti-las como fonte de prazer e sinônimo de doçura e simplicidade através de seus gracejos, então “um pequeno bando de advogados, padres e moralistas passou a reconhecer a inocência e a fragilidade da infância, e logrou impor uma infância longa entre as classes Médias”. (HEYWOOD, 2004:33)
            No século XVIII os historiadores afirmaram a importância das crianças, com isto, elas deixaram de ser tratadas como adultos imperfeitos e sim de alguém que precisava ser educado, pois a educação pode fazer grande diferença para a humanidade, “noutras palavras, houve uma mudança na esfera cultural, passível de ser atribuída à crescente influência do cristianismo e a um interesse novo pela educação”. (HEYWOOD, 2004:33)
            Mas no final do século XIX e começo do século XX os avanços científicos foram bastante significativos, sendo que as crianças deixaram de ser vistas como papel em branco e a infância passou a ser vista como uma construção social, que nem sempre existiu e por isso merece atenção, sendo que hoje o que entendemos por infância
(...) foi sendo elaborado ao longo do tempo na Europa, simultaneamente com mudanças na composição familiar, nas noções de maternidade e paternidade, e no cotidiano a na vida das crianças, inclusive por sua institucionalização pela educação escolar (...). (COHN, 2005:21)

            Devido ao fato de infância ser uma construção social, “a família torna-se o lugar onde se inscrevem determinadas formas de transmissão de valores, pois deve favorecer o período da infância” e as relações entre pais e filhos dá-se de forma “codificada e organizada”. (UBERTI, 2006:5)
            Sendo que as crianças não são meros reprodutores de cultura, pois cada criança reinterpreta de uma maneira muito específica as culturas que lhes são passadas, e com isto produzem sua própria cultura.

Contudo, podemos inferir que a variedade de vivências e contextos socioculturais das crianças permite-nos falar não numa infância, mas em infâncias, que são múltiplas e plurais nas suas diversas formas de manifestações e produções culturais. (FILHO, 2005:13)

E através das Ciências Humanas se observa, e se investigam os sujeitos e suas condutas possibilitando o governo intervir sobre a população, já que há uma preocupação do governo em relação à família e os comportamentos individuais que existem em seu interior. Surgiu então a preocupação com a saúde, sendo que é através desta que o governo busca controlar a produção desenfreada de homens e mulheres, já que devido a este fato ocorrem grandes desestruturas no setor econômico, com isto a quantidade de pessoas que possa dar melhores condições de vida as pessoas, ainda que::

Tal modificação no âmbito do poder é possibilitada pelo código de normalização das Ciências Humanas. São as técnicas das Ciências Humanas que conformam saberes do sujeito. Saberes que explicam, julgam, traduzem, determinam as suas ações, analisam as suas condutas, programam atitudes, e intervém possibilitando o governo das subjetividades dos indivíduos e da população. Este código de normalização, que institui a disciplina, possibilita o controle e a regulação de forma diferenciada. A família, a delinqüência, os comportamentos individuais situam-se como problemas no interior da racionalidade governamental e passam a fazer parte de seus investimentos. (UBERTI, 2006:3)

Para que este processo de melhoria de vida das pessoas ocorra torna-se necessário investigar a infância e todo seu processo para que nela se possa intervir, pois se acredita que a criança sendo protegida, sinta-se melhor e reproduza bons resultados.

É frente a esse investimento na vida que a infância torna-se um problema. Além da necessidade de manter a sobrevivência das crianças, é necessário que este período torne-se útil. (...) O infantil passa a ser visualizado e enunciado como problema. Isso implica numa necessária intervenção na reprodução dos indivíduos, nos nascimentos e, consequentemente, na condução destes que vieram ao mundo, brotaram, manifestaram-se. A infância torna-se objeto de análi-se e intervenção. Proliferam-se infinitos meios para controlá-la, numa rede de discursos que a investiram. (UBERTI, 2006:4)


          Contudo, nas mais diferentes formas de ver a infância têm diversas finalidades que vão desde o bem estar, a produção de saberes da criança até a regulação destes futuros cidadãos, mas na verdade suas vozes, seus desejos e suas necessidades continuam sendo silenciadas, pois são os adultos que as descrevem e as observam e cada sujeito carrega uma forma muito particular de ser e estar no mundo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COHN, Clarice. Antropologia da Criança. Rio de Janeiro, RJ, Ed. Cromosete, 2005, p.21
HEYWOOD, Colin. Uma História da Infância. Ed. Artmed, 2004, p.28
_______, Colin. Uma História da Infância. Ed. Artmed, 2004, p.33
UBERTI, Luciane. Infância Tornada Problema. VI seminário de Pesquisa em educação da Região Sul. Anped Sul. Santa Maria, RS, 2006, p.3
_______, Luciane. Infância Tornada Problema. VI seminário de Pesquisa em educação da Região Sul. Anped Sul. Santa Maria, RS, 2006, p.4
_______, Luciane. Infância Tornada Problema. VI seminário de Pesquisa em educação da Região Sul. Anped Sul. Santa Maria, RS, 2006, p.5
FILHO, Altino José Martins. Criança Pede Respeito. Porto Alegre, RS,Ed. Mediação, 2005, p.13.